Não há como analisar a imagem de um indivíduo sem relevar sua história, suas referências e o meio onde realizou suas experiências de vida. Nossa imagem representa, portanto, a tradução dos conflitos individuais, expressos em diferentes estilos.

O que chamamos de estilo pessoal, é também o consenso de idéias de indivíduos que se agrupam por afinidades de comportamentos sócio-culturais, intelectuais e modos, e desta forma, massificam as propostas da indústria legitimando o fenômeno chamado moda.

Aparência, costumes e moda, são portanto, fenômenos que se relacionam e geram profundas transformações nos indivíduos.

O sociólogo e escritor Gillis Lipovetski, trata o fenômeno moda, como a mais pura expressão do desejo de pertencimento social. Portanto mais que moda, seria o estilo pessoal, um depoimento desses anseios e conflitos. Já para o educador e pensador Guilherme Sanches, a obsessão pela aparência perfeita e o imediatismo das tendências, pode representar para a sociedade contemporânea, o risco do indivíduo vazio da cultura do pensar, percebemos um cenário de ignorância a respeito da diferença entre reagir e escolher. “Reagir é apenas o ato de responder os estímulos do meio: vitrines, televisão, editoriais, campanhas publicitárias e cinema. Escolher é mais complexo, exige reflexão, análise das informações propostas nos diversos canais, cultura e principalmente autoconhecimento”.

Portanto, a transição de sentidos da palavra moda no final do século XX foi vital para a indústria e principalmente para o consumidor. De sentido vazio e fútil, apropria-se de signos e significados que norteiam os chamados novos grupos de consumo e assim, impregnada de um novo sentido a moda, nos apresenta ao mundo e conta nossa historia.

Num processo inverso, nós consumidores, representamos para a indústria da moda o sinalizador mais eficiente de necessidades. Um exemplo disto é o Site Sartorialist, cujo criador, o fotógrafo e pesquisador Scott Schumman, representa explicitamente esta inversão de ditadura da moda para liberdade de expressão individual. O fotógrafo viaja pelo mundo clicando pessoas que expressam na imagem, individualidade e contemporaneidade. Pessoas comuns tornam-se indicadores de tendências para criadores do mundo inteiro. Individualidade! Esta é a palavra que resume para mim o real sentido da palavra estilo, somente assim com as ferramentas culturais adequadas, a moda torna-se encantadora e aliada do estilo pessoal. Considerando que o fenômeno moda é o evento mais democrático e unificador de culturas no mundo contemporâneo. Referência para todos os segmentos da indústria indica as novidades de modelo de carros, eletrodomésticos, arquitetura, decoração a embalagens de produtos. Simultaneamente todas as vitrines do mundo disponibilizam as novidades e todos os indivíduos desejam possuir, gerando desejos, emoção e personalidade no modo como interpretam estas propostas. Desta forma surgem “os diferentes, mas iguais”, desejamos usar as tendências, aquilo que nos permite pertencer, porém as interpretamos ao nosso modo, o que permite nos diferenciarmos.

Na chamada “A Era da imagem”, o século XXI dimensiona o valor do design e das formas. No que diz respeito à aparência, o estilo pessoal representa 55% ou mais nas impressões que causamos. Para a pesquisadora, Catherine Hakim da London Scool of Economics, o chamado “Capital Erótico” pode inclusive ajudar a alavancar carreiras, impulsionar relacionamentos e encurtar caminhos para o sucesso. Para a especialista em Rh Ieda Maria Carvalho, o culto a aparência representa uma moeda dos nossos tempos e pode sim garantir mais oportunidades a uns do que a outros.

 

Portanto, uma imagem adequada e uma comunicação clara podem abrir ou fechar portas para você todos os dias.

 

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